Após uma semana cansativa de nada pra fazer,ficamos na praça depois da aula,era sexta a noite,eu tava bem animado em estar lá pelo fato da insônia ter me perseguido pela semana toda ,apesar da fome por ter dispensado o rango e ter me servido de bolachinhas pitstop,tomei uma cachaça com Osmar a Cesar (esses dois nomes junto soam como dupla sertaneja de Goiás),os Sancho pança deste Dom Quixote,ou talvez seja o contrario,a pinga desceu suave como um soco na boca do estomago dado pelo Mayk Taison,cuspimos no chão e uma dessas moças da vida gritou ironicamente:”Lugar de porco é no chiqueiro”,pensei em devolver na mesma moeda:”Bem perto do curral onde a vaca da sua mãe se encontra”,observando as possibilidades de ser esfaqueado e ter que deixar a Tássya para amigos sacanas consolar preferi me manter vivo evitando o comentário.
Andamos pela cidade,andamos pelos trios ferroviários,comentamos que lá é o lugar onde as idéias legais pipocam das cabeças para a ponta da língua,o Osmar disse:”Quem tem dinheiro ai?,a gente podia subir no trem e ir pra outra cidade”,confesso que fiquei animado com a idéia,fiz até um discurso de bêbado que fala pelo os cotovelos,alegando que no futuro próximo seremos obesos,carecas e impotentes,e que só seriamos felizes pelas lembranças,historias pra contar a quem não quer ouvir,o Cesar resistiu aos planos de uma noite imprevisível,não teve o mesmo entusiasmo que eu tive,mas tudo bem,aquela idéia soa melhor quando estamos bêbados ,não quero ver minha foto na conta de luz por uma aventura.
Acordei no dia seguinte com minha mãe gritando meu nome e dando socos na porta do meu quarto,nada de anormal se tratando de um sábado a não ser o horário,sou um urso,eu não durmo, eu hiberno,estão são os meus motivos para o mau humor quando acordo antes do meio dia ,alem do mais o propósito era terrível,se ela me acordasse porque iria se mandar de casa com o circo e fosse pra me avisar que não lavaria mais minhas cuecas,ou se fosse para dar a noticia que minha irmã foi abduzida por seres alienígenas e nunca mais iríamos ver a pobre coitada eu entenderia (minha família faz a família Adams parecer normal),mas o propósito era terrível,maligno,atroz...vocês nem imaginam,é uma palavra que nem ouso dizer,que me fere os ouvidos,ela me chamou pra trabalhar,isso mesmo que vocês caros leitores acabaram de ler,TRABALHAR!.Logo eu que defendo a filosofia de vida que diz que vagabundo é quem trabalha,pois tem tempo pra isso!, fui obrigado a carregar carrinhos cheios de areia e brita que chegava a altura do meu queixo,as palmas da minha mão que eram maltratadas pela masturbação desenfreada,sofreram bem mais com os materiais de construção,fizemos uma calçada,pelo menos pude escrever meu nome no cimento fresco,e pitei o pito de paia do Zé Miguele,o vizinho mais bacana que tenho.E assim se acaba a minha aventura de algumas horas,e terminarei tal aventura com uma frase poética,dita por Zé Miguele Delas Pampas: “ Sente só o chero dessa imundice”.
Denílson Marçal.
sábado, 20 de março de 2010
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Sente só o cheiro dessa imundice!
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